A Viagem – Metáfora Terapêutica

A VIAGEM – Uma metáfora terapêutica baseada na Terapia de aceitação e compromisso

Autora: Mônica Laís Camoleze

Imagine que você fará uma viagem, será uma viagem de carro e você é quem estará na direção. Imagine o destino desta viagem não como um local, mas como algo muito importante que você tem buscado atingir.

A viagem começou e, eventualmente, ela pode ficar cansativa, difícil, ou com problemas no percurso. Perceba quais problemas surgem.

Note, também, como você se sente e que pensamentos surgem diante de cada problema. Ao se sentir assim e ao ter esses pensamentos, o que você sente vontade de fazer?

Como em toda viagem de carro, há pelo menos duas opções: desistir e voltar, ou seguir.

Quando você pensa em desistir, o que você sente? E se você voltar, o que encontrará no ponto inicial? Quais sentimentos e pensamentos surgem ao voltar para este lugar?

Frequentemente desistir parece trazer um alívio para a dificuldade da viagem, mas nos leva ao reencontro de um lugar que, geralmente, já não queremos mais estar.

Então parece que a opção é seguir, mas seguir está tão difícil!

Quais alternativas você tem? Talvez você possa parar o carro no acostamento, descansar e retomar a viagem. Talvez você descubra que existe outro caminho que te levará aonde você precisa chegar. Talvez você possa ir mais devagar e observar as belezas desta viagem, além das dificuldades.

Observe-se experimentando as opções, e como você se sente ao manter-se no caminho do que é importante para você, mas respeitando o ritmo e o percurso da sua viagem.

Observe-se, também, se aproximando do destino, quais pensamentos e sentimentos surgem.

Você está próximo, mas a viagem não terminará aqui. Você pode, a partir de agora, notar gentilmente seus pensamentos e sentimentos, cada vez que se aproxima ou se distancia do seu destino.

Você pode até rever o seu destino e redirecionar o seu percurso. Mas, a partir de agora, de uma forma consciente e conectada com o que realmente importa para você.

Sugestões para o uso terapêutico

1.    A metáfora pode ser entregue ao cliente para ler entre uma sessão e outra ou pode ser trabalhada em sessão.

2.    O destino da viagem pode ser algo importante que vocês estão trabalhando no processo terapêutico, como atingir um objetivo ou manter-se agindo de acordo com algum valor importante.

Objetivos e valores são diferentes. Seu cliente pode ter como objetivo terminar um relacionamento, o que é uma situação bastante específica e implica em lidar com pensamentos e sentimentos frequentemente aversivos. Ou seu cliente pode ter identificado que no contexto de relacionamentos amorosos, ser carinhoso é um valor importante e, portanto, ele está atento para manter-se emitindo mais ações carinhosas com seu parceiro ou sua parceira.

3.    Explore com o cliente os problemas ou dificuldades que surgem enquanto ele tenta agir para atingir o objetivo ou para agir de acordo com o seu valor. Explore quais são as respostas privadas – pensamentos e sentimentos – que surgem, e o que ele tende a fazer diante disso. Neste ponto, o terapeuta estará em condições de fazer, junto ao cliente, uma análise funcional da esquiva experiencial.

4.    Após elucidar ao cliente a esquiva experiencial, explore com ele o que pode ser feito para tornar mais provável que ele consiga manter-se no caminho rumo ao destino da viagem. Analogamente, parar no acostamento pode significar fazer uma pausa, dar um tempo para descansar e retomar as ações; rever o trajeto pode significar encontrar outras ações que o ajudem a manter-se no caminho do que é importante. Aqui é o foco é sobre a aceitação e às ações de compromisso.

5.    Explore, também, quais sentimentos e pensamentos surgem na medida em que ele se aproxima do destino. Caso ele se depare com mais pensamentos e sentimentos aversivos, você pode retornar ao item 3. Caso ele descreve sentimentos e pensamentos positivos, ressalte-os como forma de, talvez, fortalecer as ações de compromisso do cliente.